quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Se você se interessa em compreender e aprofundar em temas psicanalíticos, acompanhe-me nas lives todas as terças-feiras as 20:20h. Youtube: @elianaolimpio5509 e Instagram: @olimpioeliana

domingo, 27 de outubro de 2024

O manejo da transferência em análise

Quando se fala em “Transferência”, poucos profissionais da área psí sabem do que se trata. E olha que a transfêrencia, além de estar presente em todas as relações humanas, ela é essencial para o tratamento do sujeito. Tratamento em qualquer âmbito: seja médico, psicológico, de nutrição e outros… Ela está presente na relação professor-aluno, o que significa que ela está presente também entre o treinador da academia e o seu aluno; está presente entre o chefe e o subordinado, entre o padre e o devoto, entre os pares amorosos... Para o tratamento psicanalítico, a transferência é imprescindível. Jacques-Alain Miller, no seu livro “O Percurso de Lacan: uma introdução” afirma que a transferência é “o modus operandi da psicanálise, a mola mestra da cura, seu motor terapêutico e o princípio de seu poder”. (MILLER, 1994, p.55) O que ele quer dizer com isso? Que sem a transferência, não há análise possível. Mas, afinal de contas o que é a transferência? A transferência é um conceito que foi utilizado por Freud para designar os afetos que a criança, na sua primeira infância desenvolve por seus pais e cuidadores e que mais tarde irá transferir para as pessoas com as quais ela convive. Dai decorre as suas neuroses, as suas repetições, os seus sintomas e é através da transferência que o analista ou os terapeutas, de um modo geral, podem lidar com seus clientes com o objetivo de alcançar o êxito do tratamento. No dia 11/11 eu vou fazer um evento gratuito e online chamado o Manejo da Transferência na atualidade, onde vou te mostrar a oportunidade e a importância de trabalhar corretamente o manejo na clínica. Faça sua inscrição aqui em baixo gratuitamente. É só colocar o seu e-mail que enviaremos para você o link.

domingo, 5 de novembro de 2023

Amor

Tanto se fala em amor! O amor é cantado em versos e prosa e foi tema da mais famosa obra de Platão, O Banquete, em que cada convidado apresenta o seu ponto de vista sobre o amor, inclusive Sócrates, um dos convidados do Banquete. E não só na filosofia, na literatura, nas artes... o amor também é tema de estudo na neurociências, na sociologia, na antropologia e na psicologia. E para a psicanálise? Como Freud vê o amor? Freud, afirma que a sexualidade e o amor estão intimamente ligados e que as experiências afetivas e eróticas da infância são crucias para o desenvolvimento emocional e psicológico do indivíduo. Dependendo de como a criança se sente amada, ela estabelecerá relações afetivas no futuro. É com base nos afetos infantis, internalizados pela criança que ela vai projetar sentimentos e desejos nas figuras das suas relações, inclusive com o psicanalista. Assim, na vida adulta o sujeito escolhe seu amado de duas formas: pelo que Freud chamou de escolha anaclítica, em que o sujeito busca no parceiro/a amoroso os cuidados maternos e paternos, como a proteção, o aconchego. A outra escolha, chamada narcísica, o sujeito ama no outro uma imagem idealizada de si mesmo. Nas palavras de Freud, o sujeito ama o que se é, o que se foi, o que se gostaria de ser ou, então, uma pessoa que foi parte da própria pessoa. Nesse sentido, Freud quer dizer que na escolha narcísica o sujeito ama uma imagem idealizada de si mesmo. É claro que essas escolhas não são excludentes e se complementam, mas um tipo de escolha se sobrepõe à outra. Então, para Freud o amor é a repetição do amor da infância, quando éramos amados por nossos pais, quando eles nos conferiam cuidados ou quando eles nos idealizavam como os pequenos deuses, cheios de qualidades e nenhum defeito. É isso que amamos no outro. Mas, ainda não tá claro: o que é o amor para Freud? Para Freud o amor é libidinal: uma energia que impulsiona o sujeito para a vida, para a criação, para produção. Num texto intitulado “Mal estar na civilização”, Freud vai dizer que um sujeito bem sucedido é aquele capaz de trabalhar e amar. Trabalhar nos dias de hoje não é assim tão fácil, e amar, mais difícil ainda. Isso foi dito porque um sujeito quando está pronto para o trabalho se sente útil e quando está pronto para o amor está resolvido. O amor é essa energia que impulsiona o sujeito para o trabalho, para a produção, e para o exercício sexual, é claro. Estou citando o exercício sexual, por causa da síndrome de Bournot em que o sujeito não consegue trabalhar nem amar. O sujeito está adoecido. Não consegue ter prazer em nada. Para Freud o sujeito é saudável se trabalhar e amar. Lacan foi influenciado pela psicanalise freudiana, mas trouxe sua própria perspectiva para o campo. Ele destacou a importância do objeto a, como um objeto que representa o objeto perdido, inatingível e que é buscado por todo ser humano para preencher um vazio emocional. Mas essa busca é sempre frustrada, pois o objeto do desejo nunca pode ser alcançado de forma plena. Nesse sentido, o amor seria representado por esse objeto, como uma busca constante por completude e satisfação. Pensando nessa insatisfação, Lacan introduziu o conceito de “amor cortês” ou “amor romântico”, no qual o desejo se mantém vivo através da distância e da inacessibilidade do objeto desejado. O gozo seria a representação do prazer, excessivamente satisfeito, que no seu fim levaria à dor. Então, o amor envolve uma luta entre o desejo e o gozo, onde o desejo está sempre ligado à falta e à incompletude e o gozo à morte. Lacan coloca o amor como uma ficção, pois amar é dar o que não se tem a alguém que não se interessa em recebe-lo. Sim, porque se a essência do sujeito é a insatisfação, se o sujeito é um ser de falta-a-ser ele não receberá o amor porque precisa permanecer insatisfeito. Aquele também que oferece o amor não o tem para dar, pois o amor só pode ser concebido numa relação simbólica, mediada pela palavra que é incompleta e que não diz tudo. Você diz que ama, é apenas um dizer. Por mais que você preencha o outro de carinhos, presentes e palavras ele nunca terá certeza se isso é amor. O amor não é tangível. Me lembrei do livro de Gustav Flaubert, chamado Madame Bovary. Conta a história de uma jovem que casou com um médico um pouco mais velho que ela. Ele tinha seus afazeres, mas cuidava dela e lhe oferecia tudo o que ela pedia. Mas ela queria mais e não se sentia amada. Então ela sonhava com outros amores e idealizava ser amada. E não vou dar spoiler, mas vou adiantar para vocês que ela nunca se satisfez buscando o amor. É porque somos insatisfeitos e achamos que o amor vai nos preencher. O trabalho da análise é levar a cada um de nós nos havermos com essa insatisfação, com esse vazio, com o buraco existencial para dar possibilidade do amor circular pela nossa vida, sem a pretensão de que ele nos preencha no todo. Cada teoria com a sua verdade, mas em um ponto todas se convergem: é o amor o que favorece ao todos os seres humanos aspirarem uma vida mais elevada e transcendente.

terça-feira, 4 de abril de 2023

Conteúdos através de pequenos vídeos!

Toda semana, vídeo novo no canal com conteúdos de psicologia e psicanálise. Confira. Com certeza você vai gostar! E então: Curta, se inscreva e compartilhe.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Novo ano em novos tempos: manter a atualização profissional

Novo ano em novos tempos! A pandemia acelerou a incorporação tecnológica ao nosso cotidiano provocando mudanças nos nossos padrões de comportamento, alterou nossa subjetividade e produziu consequências benéficas e maléficas. Isso remete à que, qualquer profissional, mas principalmente aqueles voltados para as àreas humanas e de saúde necessitam atualizar seus estudos levando em conta essas consequências e exige o profissional se empenhe em se aprimorar para oferecer o que há melhor para o seu cliente. Vamos criar, então, para os nossos planos para 2023, independente da nossa área de atuação, estratégias de investimento de tempo, dinheiro e dedicação à nossa reciclagem ou atualização profissional. Muitos cursos são oferecidos, e hoje temos a vantagem de podermos fazê-los à distancia, no conforto da nossa casa, sem as despesas de deslocamento. Freud, há mais de 100 anos já recomendava que os analistas permanecessem em constante atualização dos estudos em psicanálise, bem como a supervisão dos casos com outro profissional experiente e mantivessem a sua análise pessoal. É uma prática a que devemos estar atentos. E feliz 2023 com muito estudo e dedicação.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

O que é a felicidade?

O progresso material garante felicidade? A resposta é controversa. Para Aristóteles o ser humano é feliz na medida em que realiza a obra da sua vida. É necessário que a pessoa tenha atingido certa etapa na vida para poder começar a considerar se é feliz ou não. Na perspectiva estóica, a sabedoria consiste em não desejar o que não está ao seu próprio alcance e assim ser feliz. Já para a concepção eudemonica, o nível sócioeconomico correlaciona-se com a felicidade independente da idade, porém, em pesquisa recente constatou-se que o nível de bem estar subjetivo de uma população em relação à renda (PIB) sustenta-se apenas até determinado patamar, acima do qual a renda deixa de acrescentar à felicidade. Duas parecem ser as ordens de fatores que influenciam as percepções de felicidade: a) fatores subjetivos, determinados tanto pela constituição genética quanto pela experiência individual, b) fatores objetivos, relacionados principalmente às circunstancias externas, como o bem estar material. Logo, cada indivíduo possui um nível ótimo de bem-estar, o qual pode ser, ao menos parcialmente, geneticamente determinado, mas que se mantêm regulado à medida em que pode lançar mão de mecanismos moderadores para compensar os efeitos de situações danosas. Há também os mecanismos neurobiológicos que implementam as experiências de felicidade no cérebro. Por exemplo, um modelo contemporâneo sugere que os dispositivos de prazer estão relacionados à ativação dopaminérgica de um circuito límbico com epicentro na medula (core) do núcleo accumbens (NAc), de forma que a felicidade pode depender do desenvolvimento de circuitos pré-frontais que amadurecem lentamente até a terceira década de vida e que são desenvolvimentos relativamente recentes na árvore evolutiva das espécies. Ora, a busca pela felicidade constitui ao mesmo tempo uma obsessão motivacional entre os humanos e uma armadilha evolutiva. A ideologia iluminista sugeriu que seria possível concretizar um estado de bem-aventurança na Terra por meio do progresso material e social. Mas, as diversas engenharias sociais, socialistas e capitalistas não conduzem forçosamente à felicidade ou à infelicidade. Teorias humanistas apontam para a satisfação subjetiva, enquanto teorias cerebrais encontram respostas nos mecanismos neurobiológicos proximais. O desafio, porém, que se lança aos indivíduos, para além das questões cerebrais, é maximizar e simultaneamente, compartilhar com as gerações, sua aptidão para a felicidade no longo prazo. Infelizmente, os seres humanos, na maioria das vezes, não se comportam como agentes racionais e a experiência acumulada não se transmite automaticamente entre gerações sucessivas. Cada geração e cada indivíduo precisam encontrar por si próprios a solução para o paradoxo da felicidade.

terça-feira, 14 de junho de 2022

O perfeccionismo é bom ou ruim? Não raras vezes queremos ser e fazer tudo com tanta perfeição e nos exigimos tanto, que nem começamos o que havíamos planejado. Não percebemos que o que interessa é o que está feito. Não nos permitimos errar. Então, procrastinamos e deixamos para depois, para quando estiver tudo pronto, tudo organizado, e ai, não começamos nunca. O perfeccionismo não deixa a pessoa fazer nada. Fomos criados para ser o bebê mais lindo do mundo e nossos pais acreditavam que iriamos atender todas as exigências sociais, familiares e do sistema, sem errar. Vamos crescendo e absorvendo essa mentalidade de que temos que ser perfeitos para sermos aceitos. Preocupamos com o que as pessoas esperam de nós e temos uma enorme necessidade de agradar as pessoas para sermos amados. O perfeccionismo tem muito a ver com a questão do narcisismo e num grau muito acentuado gera a megalomania – um sentimento de superioridade, que é patológico. Por outro lado, tem a pessoa que não se vê perfeita, se sente inferior, destruída, que se vê como um sujeito que não tem nada, que não consegue fazer nada direito. Isso também é patológico. Entre esses dois extremos é que se encontram aqueles que buscam alcançar a perfeição, mas que têm a consciência de que a perfeição em si é inalcançável. O perfeccionismo gera dois sentimentos: a inibição e a ansiedade. Ambos te deixam paralisados. É algo assim: “ ah... eu preciso fazer mas eu não sei como e eu ando para lá e para cá e não saio do lugar”. Bauman, o sociólogo, fala que na atualidade existem três exigências que nos levam ao perfeccionismo: o controle para obter segurança, o controle para obter o máximo de higiene, e o controle para obter a liberdade. De fato, as pessoas pensam que elas tem controle sobre as coisas – e isso é uma ilusão porque a gente não tem controle sobre nada. O perfeccionista precisa controlar tudo, ele tem que controlar antes da coisa acontecer, tem que planejar excessivamente a coisa, se apega aos detalhes, é extremamente crítico. Ele tem uma autocritica muito grande, e muitas vezes ele coloca essa crítica sobre os outros. Ele não consegue olhar o outro com um olhar amoroso, tem sempre ali um olhar feroz chamando aquela pessoa aos pontos que ele vê como negativos. Também tem a ver com o sentimento de insegurança e instabilidade. As pessoas procuram estabilidade. É como se quisessem ter controle sobre o incontrolável, já que a vida é dinâmica e inusitada. Associado a isso, o sistema capitalista exige o máximo de produção e o mínimo de perda e o sujeito tem que fazer esse cálculo em que ele precisa produzir com o máximo de perfeição para que não ter prejuízos. É claro que a gente pode ter a perfeição como meta. Algo a se alcançar. Mas, nesse processo, temos que nos dar o direito de sermos humanos, podermos errar. Saber que eu não sou Deus. Se eu sou humana, e se eu tenho esse lugar para errar, por que que eu preciso me apresentar como se eu fosse super-herói? Como se eu fosse infalível? Por que que eu não me apresento com as minhas dificuldades, com as minhas deficiências, com a minha necessidade de melhorar todos os dias? O que vai contrapor a esse sistema que exige da gente o perfeccionismo é justamente a humanidade. É você falhar, é você ser você mesmo. É você dizer: “olha, não estou dando conta disso! Depois eu vou aprimorar!” Sair dos extremos que seriam patológicos – perfeito demais ou imperfeito demais – para o meio, ou seja, a perfeição é algo a se alcançar, mas com leveza, porque assim fica melhor e mais saudável.