quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Curso: O Manejo da transferência

Este é um curso gravado, sobre a transferência em Freud e Lacan nas modalidades presencial e à distância. São 6 aulas com ótima didática, linguagem clara e com exemplos clinicos em que você poderá assistir quando e onde quiser durante um ano.Acompanha textos para leituras, espaço para comentários e perguntas para tirar dúvidas diretamente com a professora. Vale a pena conferir. Vá no link abaixo faça sua inscrição e bons estudos. https://go.hotmart.com/I101017673F

quinta-feira, 24 de julho de 2025

As consequências do uso de psicoterapia em Chatgpt e outras I.A.

Na contemporaneidade, marcada pela aceleração do tempo, pela lógica do desempenho e pela promessa de soluções rápidas e eficazes, o uso de ferramentas baseadas em inteligência artificial tem se expandido em diversas áreas, incluindo a saúde mental. Entre essas ferramentas, o ChatGPT e outros assistentes conversacionais vêm sendo utilizados por alguns sujeitos como recurso para obtenção de conselhos, esclarecimentos emocionais ou mesmo como substituto de uma escuta clínica. Essa prática levanta questões éticas, técnicas e subjetivas que merecem reflexão aprofundada, sobretudo sob a perspectiva da psicanálise.

A psicanálise,desde Freud, opera a partir de uma escuta singular, em que o discurso do sujeito é acolhido sem o propósito de oferecer respostas prontas ou soluções universais. Diferentemente do que ocorre com inteligências artificiais, que funcionam por meio de algoritmos de predição baseados em grandes bancos de dados, a clínica psicanalítica não trabalha com padrões estatísticos ou respostas generalizáveis. Ao contrário, ela se funda no reconhecimento da singularidade do inconsciente e na irrupção do sujeito na linguagem. Lacan afirmava que o analista é aquele que sustenta um lugar de falta, de não saber, justamente para que o sujeito possa produzir saber sobre seu próprio desejo.

Quando um sujeito recorre a uma IA como o ChatGPT buscando alívio para seus sofrimentos psíquicos, corre-se o risco de que o sintoma, que na clínica é tratado como formação do inconsciente e convocação de sentido, seja reduzido a um dado a ser eliminado ou normalizado. Há, nesse gesto, uma tentativa de tamponamento da falta, o que pode implicar na intensificação do sofrimento. A IA pode oferecer palavras, mas não escuta; pode simular empatia, mas não se implica; pode acompanhar o discurso, mas não sustentar transferência.

A transferência, aliás, é um dos pontos mais críticos nesse debate. Na clínica psicanalítica, a transferência é o motor do tratamento. O analista, por sua posição de objeto (a) e por sua escuta abstinente, encarna algo do enigma do desejo do Outro, promovendo deslocamentos e rearticulações do discurso do sujeito. Uma IA, por mais sofisticada que seja, não pode ocupar essa posição. Ainda que o sujeito venha a investir afetivamente na máquina, fenômeno que já foi observado, por exemplo, em estudos sobre robôs de companhia ou assistentes virtuais, esse laço permanece no campo do imaginário, sem abertura ao simbólico e ao real do inconsciente.

Outro risco importante é a manutenção de defesas que impedem o sujeito de confrontar-se com o que há de mais enigmático em si. Ao procurar respostas em um chatbot, o sujeito pode permanecer em um circuito de reafirmação de seus próprios significantes mestres, em busca de validação ou conselhos que confirmem suas hipóteses conscientes. A função do analista, ao contrário, é justamente desestabilizar essas certezas, provocar hiatos no saber, abrir espaço para o que insiste como repetição sintomática.

Além disso, o uso reiterado de uma IA no lugar de um processo terapêutico pode retardar a busca por ajuda efetiva em situações de sofrimento psíquico grave, como estados depressivos, crises de ansiedade, ideação suicida ou desestruturação psicótica. O atendimento clínico realizado por profissionais capacitados é pautado por uma escuta ética, pelo manejo transferencial e por uma construção sustentada no tempo, algo que não pode ser comprimido em respostas imediatas ou orientações genéricas. Isso não significa que ferramentas como o ChatGPT não possam ter alguma utilidade no campo da saúde mental, por exemplo, para psicoeducação, apoio a profissionais, acesso a informações sobre sofrimento psíquico, ou como parte de estratégias complementares de cuidado. Contudo, é fundamental que haja uma clara delimitação entre essas funções informativas e o campo clínico propriamente dito.

A psicanálise, ao insistir na opacidade do sujeito e na função do inconsciente, reafirma que o tratamento do sofrimento psíquico não pode ser reduzido a um diálogo com algoritmos. Trata-se de uma experiência encarnada, intersubjetiva, marcada pela transferência, pelo tempo próprio do sujeito e por uma ética que reconhece o desejo como força estruturante. Substituir o analista por uma máquina pode, portanto, não apenas falhar em aliviar o sofrimento, mas também reforçar as defesas que o sustentam, promovendo uma alienação ainda maior da própria verdade subjetiva.

Referências

Freud, S. (1912/1996). Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. XII. Rio de Janeiro: Imago.

Lacan, J. (1964). O Seminário, Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar.

Lacan, J. (1970). O Seminário, Livro 17: O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar.

Miller, J.-A. (2000). A direção da cura e os princípios de seu poder. Rio de Janeiro: Zahar.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

PSICOPATIA E PSICANÁLISE
Os temas psicopatia, psicopata, antissociais sempre atiçam a curiosidade das pessoas. Mas, caracterizar traços psicopaticos e antissociais não é fácil e não deve ser feito de forma leviana. Necessita cuidado e tempo clínico, de observação e escuta analítica. A psicopatia é um quadro clínico complexo e multifacetado que se caracteriza pela ausência ou profunda deficiência de empatia, culpa e remorso, além de uma marcante incapacidade de estabelecer vínculos afetivos autênticos com os outros. No âmbito psicanalítico, especialmente em Freud e Lacan, o conceito não é explicitamente tratado sob o termo "psicopatia" como entendemos atualmente, mas pode ser articulado com o que se reconhece como estruturas clínicas mais amplas, notadamente com as estruturas perversas e, em certa medida, com certas modalidades de funcionamento narcísico. Embora Freud não utilize diretamente o termo "psicopata", ele tratou explicitamente das personalidades antissociais, do narcisismo patológico e das perversões. Em “Introdução ao narcisismo” (1914), Freud descreve indivíduos com extrema dificuldade em investir afetivamente nos outros, permanecendo fortemente presos ao seu próprio ego. O psicopata pode ser pensado psicanaliticamente como um sujeito cujo funcionamento narcísico exacerba uma forma de relação com o outro marcada pelo uso instrumental deste outro, negando a alteridade e ignorando o desejo alheio. Para Lacan, embora também não empregue o termo “psicopata” em sentido estrito, podemos relacionar certas características da psicopatia à estrutura perversa, na medida em que o perverso reconhece parcialmente a existência da Lei simbólica, mas a desafia sistematicamente, posicionando-se acima dela ou como aquele que pode manipular a ordem simbólica em seu benefício próprio. Lacan enfatiza a dimensão do gozo no perverso, que opera a partir de uma lógica onde o Outro é utilizado apenas como objeto de satisfação pulsional imediata, sem reconhecimento de sua singularidade subjetiva. Embora psicanaliticamente o conceito seja tratado sob outras terminologias, a psicologia clínica e a psiquiatria apresentam uma descrição mais explícita dos psicopatas, especialmente com base na obra de Robert Hare, autor do famoso instrumento "Psychopathy Checklist Revised" (PCL-R), amplamente utilizado para diagnóstico e avaliação da psicopatia. Segundo Hare e as pesquisas contemporâneas, algumas características marcantes do psicopata são: 1. Ausência de empatia e remorso Incapacidade para se colocar no lugar do outro. Não sentem culpa ou arrependimento por suas ações prejudiciais. Apresentam frieza emocional. 2. Egocentrismo e Narcisismo exacerbado Tendência a supervalorizar a si mesmos, com uma autoimagem grandiosa. Comportamento arrogante e desprezo pelos outros, vistos como inferiores ou instrumentos. 3. Manipulação interpessoal e sedução Grande habilidade para enganar e manipular pessoas para obter vantagens pessoais. Uso da sedução e charme superficial como estratégias frequentes. 4. Irresponsabilidade social e impulsividade Não conseguem manter vínculos afetivos duradouros e estáveis. Comportamentos impulsivos, falta de planejamento e baixa tolerância à frustração. Histórico frequente de condutas criminosas, embora nem todos se envolvam em delitos evidentes. 5. Mentira patológica e superficialidade afetiva Constante mentira, muitas vezes aparentemente sem necessidade, para controle e poder. Sentimentos demonstrados são superficiais ou falsos, instrumentalizados para alcançar objetivos pessoais. 6. Incapacidade de aprendizado a partir da experiência Dificuldade em aprender com erros e punições. Repetição de comportamentos prejudiciais e destrutivos, apesar das consequências negativas. Sinais comuns que podem indicar psicopatia (aspectos comportamentais observáveis): Frieza emocional e aparente ausência de emoções autênticas. Dificuldade extrema em seguir regras e leis sociais. Constantes manipulações e distorções da realidade. Comportamento frequentemente irresponsável em ambientes profissionais ou familiares. Incapacidade de estabelecer vínculos afetivos profundos e duradouros. Desconsideração constante dos direitos, sentimentos e necessidades alheias. Ausência aparente de medo ou ansiedade diante de situações perigosas ou ameaçadoras. Comportamentos de risco frequentes e tendência à busca incessante por estimulação. Distinções importantes: A psicopatia não é um diagnóstico oficialmente listado no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, 5ª edição), sendo englobada dentro do Transtorno da Personalidade Antissocial (TPAS). Porém, nem todos os indivíduos com TPAS preenchem os critérios específicos da psicopatia, que enfatiza especialmente a dimensão afetiva e interpessoal deficitária. A psicanálise, ao abordar pacientes que poderiam ser identificados como psicopatas, depara-se com desafios clínicos e éticos consideráveis. A falta de transferência genuína, as manipulações constantes e a ausência de angústia subjetiva tornam o tratamento analítico bastante complicado. Lacan mesmo indica que certos sujeitos estruturados perversamente têm uma dificuldade muito particular em estabelecer uma transferência autêntica, pois o outro é reduzido a objeto de gozo, e não a um semelhante reconhecido como sujeito desejante. Assim, do ponto de vista clínico, é fundamental avaliar cuidadosamente as condições de possibilidade da análise com sujeitos identificados com traços psicopáticos, mantendo-se atento à dinâmica transferencial e às implicações éticas que surgem nesse cenário, sobretudo considerando a perspectiva lacaniana em que a ética psicanalítica está diretamente associada à responsabilidade do sujeito diante de seu desejo e do desejo do Outro. Portanto, a psicopatia pode ser compreendida como um fenômeno complexo que transcende definições estritamente psiquiátricas, sendo interpretada psicanaliticamente como uma modalidade de organização subjetiva peculiar, caracterizada principalmente pela instrumentalização do outro, pelo funcionamento narcísico extremo e pela incapacidade de sustentação genuína do laço social. O reconhecimento de tais sinais e características auxilia profissionais a identificarem melhor esse funcionamento subjetivo e a refletirem sobre as possibilidades e limites de intervenção clínica e social.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Se você se interessa em compreender e aprofundar em temas psicanalíticos, acompanhe-me nas lives todas as terças-feiras as 20:20h. Youtube: @elianaolimpio5509 e Instagram: @olimpioeliana

domingo, 27 de outubro de 2024

O manejo da transferência em análise

Quando se fala em “Transferência”, poucos profissionais da área psí sabem do que se trata. E olha que a transfêrencia, além de estar presente em todas as relações humanas, ela é essencial para o tratamento do sujeito. Tratamento em qualquer âmbito: seja médico, psicológico, de nutrição e outros… Ela está presente na relação professor-aluno, o que significa que ela está presente também entre o treinador da academia e o seu aluno; está presente entre o chefe e o subordinado, entre o padre e o devoto, entre os pares amorosos... Para o tratamento psicanalítico, a transferência é imprescindível. Jacques-Alain Miller, no seu livro “O Percurso de Lacan: uma introdução” afirma que a transferência é “o modus operandi da psicanálise, a mola mestra da cura, seu motor terapêutico e o princípio de seu poder”. (MILLER, 1994, p.55) O que ele quer dizer com isso? Que sem a transferência, não há análise possível. Mas, afinal de contas o que é a transferência? A transferência é um conceito que foi utilizado por Freud para designar os afetos que a criança, na sua primeira infância desenvolve por seus pais e cuidadores e que mais tarde irá transferir para as pessoas com as quais ela convive. Dai decorre as suas neuroses, as suas repetições, os seus sintomas e é através da transferência que o analista ou os terapeutas, de um modo geral, podem lidar com seus clientes com o objetivo de alcançar o êxito do tratamento. No dia 11/11 eu vou fazer um evento gratuito e online chamado o Manejo da Transferência na atualidade, onde vou te mostrar a oportunidade e a importância de trabalhar corretamente o manejo na clínica. Faça sua inscrição aqui em baixo gratuitamente. É só colocar o seu e-mail que enviaremos para você o link.

domingo, 5 de novembro de 2023

Amor

Tanto se fala em amor! O amor é cantado em versos e prosa e foi tema da mais famosa obra de Platão, O Banquete, em que cada convidado apresenta o seu ponto de vista sobre o amor, inclusive Sócrates, um dos convidados do Banquete. E não só na filosofia, na literatura, nas artes... o amor também é tema de estudo na neurociências, na sociologia, na antropologia e na psicologia. E para a psicanálise? Como Freud vê o amor? Freud, afirma que a sexualidade e o amor estão intimamente ligados e que as experiências afetivas e eróticas da infância são crucias para o desenvolvimento emocional e psicológico do indivíduo. Dependendo de como a criança se sente amada, ela estabelecerá relações afetivas no futuro. É com base nos afetos infantis, internalizados pela criança que ela vai projetar sentimentos e desejos nas figuras das suas relações, inclusive com o psicanalista. Assim, na vida adulta o sujeito escolhe seu amado de duas formas: pelo que Freud chamou de escolha anaclítica, em que o sujeito busca no parceiro/a amoroso os cuidados maternos e paternos, como a proteção, o aconchego. A outra escolha, chamada narcísica, o sujeito ama no outro uma imagem idealizada de si mesmo. Nas palavras de Freud, o sujeito ama o que se é, o que se foi, o que se gostaria de ser ou, então, uma pessoa que foi parte da própria pessoa. Nesse sentido, Freud quer dizer que na escolha narcísica o sujeito ama uma imagem idealizada de si mesmo. É claro que essas escolhas não são excludentes e se complementam, mas um tipo de escolha se sobrepõe à outra. Então, para Freud o amor é a repetição do amor da infância, quando éramos amados por nossos pais, quando eles nos conferiam cuidados ou quando eles nos idealizavam como os pequenos deuses, cheios de qualidades e nenhum defeito. É isso que amamos no outro. Mas, ainda não tá claro: o que é o amor para Freud? Para Freud o amor é libidinal: uma energia que impulsiona o sujeito para a vida, para a criação, para produção. Num texto intitulado “Mal estar na civilização”, Freud vai dizer que um sujeito bem sucedido é aquele capaz de trabalhar e amar. Trabalhar nos dias de hoje não é assim tão fácil, e amar, mais difícil ainda. Isso foi dito porque um sujeito quando está pronto para o trabalho se sente útil e quando está pronto para o amor está resolvido. O amor é essa energia que impulsiona o sujeito para o trabalho, para a produção, e para o exercício sexual, é claro. Estou citando o exercício sexual, por causa da síndrome de Bournot em que o sujeito não consegue trabalhar nem amar. O sujeito está adoecido. Não consegue ter prazer em nada. Para Freud o sujeito é saudável se trabalhar e amar. Lacan foi influenciado pela psicanalise freudiana, mas trouxe sua própria perspectiva para o campo. Ele destacou a importância do objeto a, como um objeto que representa o objeto perdido, inatingível e que é buscado por todo ser humano para preencher um vazio emocional. Mas essa busca é sempre frustrada, pois o objeto do desejo nunca pode ser alcançado de forma plena. Nesse sentido, o amor seria representado por esse objeto, como uma busca constante por completude e satisfação. Pensando nessa insatisfação, Lacan introduziu o conceito de “amor cortês” ou “amor romântico”, no qual o desejo se mantém vivo através da distância e da inacessibilidade do objeto desejado. O gozo seria a representação do prazer, excessivamente satisfeito, que no seu fim levaria à dor. Então, o amor envolve uma luta entre o desejo e o gozo, onde o desejo está sempre ligado à falta e à incompletude e o gozo à morte. Lacan coloca o amor como uma ficção, pois amar é dar o que não se tem a alguém que não se interessa em recebe-lo. Sim, porque se a essência do sujeito é a insatisfação, se o sujeito é um ser de falta-a-ser ele não receberá o amor porque precisa permanecer insatisfeito. Aquele também que oferece o amor não o tem para dar, pois o amor só pode ser concebido numa relação simbólica, mediada pela palavra que é incompleta e que não diz tudo. Você diz que ama, é apenas um dizer. Por mais que você preencha o outro de carinhos, presentes e palavras ele nunca terá certeza se isso é amor. O amor não é tangível. Me lembrei do livro de Gustav Flaubert, chamado Madame Bovary. Conta a história de uma jovem que casou com um médico um pouco mais velho que ela. Ele tinha seus afazeres, mas cuidava dela e lhe oferecia tudo o que ela pedia. Mas ela queria mais e não se sentia amada. Então ela sonhava com outros amores e idealizava ser amada. E não vou dar spoiler, mas vou adiantar para vocês que ela nunca se satisfez buscando o amor. É porque somos insatisfeitos e achamos que o amor vai nos preencher. O trabalho da análise é levar a cada um de nós nos havermos com essa insatisfação, com esse vazio, com o buraco existencial para dar possibilidade do amor circular pela nossa vida, sem a pretensão de que ele nos preencha no todo. Cada teoria com a sua verdade, mas em um ponto todas se convergem: é o amor o que favorece ao todos os seres humanos aspirarem uma vida mais elevada e transcendente.

terça-feira, 4 de abril de 2023

Conteúdos através de pequenos vídeos!

Toda semana, vídeo novo no canal com conteúdos de psicologia e psicanálise. Confira. Com certeza você vai gostar! E então: Curta, se inscreva e compartilhe.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Novo ano em novos tempos: manter a atualização profissional

Novo ano em novos tempos! A pandemia acelerou a incorporação tecnológica ao nosso cotidiano provocando mudanças nos nossos padrões de comportamento, alterou nossa subjetividade e produziu consequências benéficas e maléficas. Isso remete à que, qualquer profissional, mas principalmente aqueles voltados para as àreas humanas e de saúde necessitam atualizar seus estudos levando em conta essas consequências e exige o profissional se empenhe em se aprimorar para oferecer o que há melhor para o seu cliente. Vamos criar, então, para os nossos planos para 2023, independente da nossa área de atuação, estratégias de investimento de tempo, dinheiro e dedicação à nossa reciclagem ou atualização profissional. Muitos cursos são oferecidos, e hoje temos a vantagem de podermos fazê-los à distancia, no conforto da nossa casa, sem as despesas de deslocamento. Freud, há mais de 100 anos já recomendava que os analistas permanecessem em constante atualização dos estudos em psicanálise, bem como a supervisão dos casos com outro profissional experiente e mantivessem a sua análise pessoal. É uma prática a que devemos estar atentos. E feliz 2023 com muito estudo e dedicação.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

O que é a felicidade?

O progresso material garante felicidade? A resposta é controversa. Para Aristóteles o ser humano é feliz na medida em que realiza a obra da sua vida. É necessário que a pessoa tenha atingido certa etapa na vida para poder começar a considerar se é feliz ou não. Na perspectiva estóica, a sabedoria consiste em não desejar o que não está ao seu próprio alcance e assim ser feliz. Já para a concepção eudemonica, o nível sócioeconomico correlaciona-se com a felicidade independente da idade, porém, em pesquisa recente constatou-se que o nível de bem estar subjetivo de uma população em relação à renda (PIB) sustenta-se apenas até determinado patamar, acima do qual a renda deixa de acrescentar à felicidade. Duas parecem ser as ordens de fatores que influenciam as percepções de felicidade: a) fatores subjetivos, determinados tanto pela constituição genética quanto pela experiência individual, b) fatores objetivos, relacionados principalmente às circunstancias externas, como o bem estar material. Logo, cada indivíduo possui um nível ótimo de bem-estar, o qual pode ser, ao menos parcialmente, geneticamente determinado, mas que se mantêm regulado à medida em que pode lançar mão de mecanismos moderadores para compensar os efeitos de situações danosas. Há também os mecanismos neurobiológicos que implementam as experiências de felicidade no cérebro. Por exemplo, um modelo contemporâneo sugere que os dispositivos de prazer estão relacionados à ativação dopaminérgica de um circuito límbico com epicentro na medula (core) do núcleo accumbens (NAc), de forma que a felicidade pode depender do desenvolvimento de circuitos pré-frontais que amadurecem lentamente até a terceira década de vida e que são desenvolvimentos relativamente recentes na árvore evolutiva das espécies. Ora, a busca pela felicidade constitui ao mesmo tempo uma obsessão motivacional entre os humanos e uma armadilha evolutiva. A ideologia iluminista sugeriu que seria possível concretizar um estado de bem-aventurança na Terra por meio do progresso material e social. Mas, as diversas engenharias sociais, socialistas e capitalistas não conduzem forçosamente à felicidade ou à infelicidade. Teorias humanistas apontam para a satisfação subjetiva, enquanto teorias cerebrais encontram respostas nos mecanismos neurobiológicos proximais. O desafio, porém, que se lança aos indivíduos, para além das questões cerebrais, é maximizar e simultaneamente, compartilhar com as gerações, sua aptidão para a felicidade no longo prazo. Infelizmente, os seres humanos, na maioria das vezes, não se comportam como agentes racionais e a experiência acumulada não se transmite automaticamente entre gerações sucessivas. Cada geração e cada indivíduo precisam encontrar por si próprios a solução para o paradoxo da felicidade.

terça-feira, 14 de junho de 2022

O perfeccionismo é bom ou ruim? Não raras vezes queremos ser e fazer tudo com tanta perfeição e nos exigimos tanto, que nem começamos o que havíamos planejado. Não percebemos que o que interessa é o que está feito. Não nos permitimos errar. Então, procrastinamos e deixamos para depois, para quando estiver tudo pronto, tudo organizado, e ai, não começamos nunca. O perfeccionismo não deixa a pessoa fazer nada. Fomos criados para ser o bebê mais lindo do mundo e nossos pais acreditavam que iriamos atender todas as exigências sociais, familiares e do sistema, sem errar. Vamos crescendo e absorvendo essa mentalidade de que temos que ser perfeitos para sermos aceitos. Preocupamos com o que as pessoas esperam de nós e temos uma enorme necessidade de agradar as pessoas para sermos amados. O perfeccionismo tem muito a ver com a questão do narcisismo e num grau muito acentuado gera a megalomania – um sentimento de superioridade, que é patológico. Por outro lado, tem a pessoa que não se vê perfeita, se sente inferior, destruída, que se vê como um sujeito que não tem nada, que não consegue fazer nada direito. Isso também é patológico. Entre esses dois extremos é que se encontram aqueles que buscam alcançar a perfeição, mas que têm a consciência de que a perfeição em si é inalcançável. O perfeccionismo gera dois sentimentos: a inibição e a ansiedade. Ambos te deixam paralisados. É algo assim: “ ah... eu preciso fazer mas eu não sei como e eu ando para lá e para cá e não saio do lugar”. Bauman, o sociólogo, fala que na atualidade existem três exigências que nos levam ao perfeccionismo: o controle para obter segurança, o controle para obter o máximo de higiene, e o controle para obter a liberdade. De fato, as pessoas pensam que elas tem controle sobre as coisas – e isso é uma ilusão porque a gente não tem controle sobre nada. O perfeccionista precisa controlar tudo, ele tem que controlar antes da coisa acontecer, tem que planejar excessivamente a coisa, se apega aos detalhes, é extremamente crítico. Ele tem uma autocritica muito grande, e muitas vezes ele coloca essa crítica sobre os outros. Ele não consegue olhar o outro com um olhar amoroso, tem sempre ali um olhar feroz chamando aquela pessoa aos pontos que ele vê como negativos. Também tem a ver com o sentimento de insegurança e instabilidade. As pessoas procuram estabilidade. É como se quisessem ter controle sobre o incontrolável, já que a vida é dinâmica e inusitada. Associado a isso, o sistema capitalista exige o máximo de produção e o mínimo de perda e o sujeito tem que fazer esse cálculo em que ele precisa produzir com o máximo de perfeição para que não ter prejuízos. É claro que a gente pode ter a perfeição como meta. Algo a se alcançar. Mas, nesse processo, temos que nos dar o direito de sermos humanos, podermos errar. Saber que eu não sou Deus. Se eu sou humana, e se eu tenho esse lugar para errar, por que que eu preciso me apresentar como se eu fosse super-herói? Como se eu fosse infalível? Por que que eu não me apresento com as minhas dificuldades, com as minhas deficiências, com a minha necessidade de melhorar todos os dias? O que vai contrapor a esse sistema que exige da gente o perfeccionismo é justamente a humanidade. É você falhar, é você ser você mesmo. É você dizer: “olha, não estou dando conta disso! Depois eu vou aprimorar!” Sair dos extremos que seriam patológicos – perfeito demais ou imperfeito demais – para o meio, ou seja, a perfeição é algo a se alcançar, mas com leveza, porque assim fica melhor e mais saudável.

sábado, 11 de junho de 2022

Relações amorosas nos dias atuais

Os relacionamentos amorosos, desde a antiguidade, são causa de reflexões por parte de religiosos, filósofos, escritores, psicanalistas e outros pensadores. A psicanálise considera que as relações amorosas se iniciam em tenra infância, entre a criança e seus pais ou com qualquer pessoa que tenha desempenhado os cuidados essenciais à sobrevivência da criança. Os cuidados, como amamentação, higiene e aconchego são fundadores do processo psíquico do sujeito. Os cuidados ultrapassam a necessidade para se constituírem como demandas que partem tanto do bebê quanto dos seus cuidadores. A alimentação, por exemplo, deixa de ser apenas uma necessidade de saciar a fome e passa a constituir-se como uma demanda de se deixar alimentar. Também a higiene em torno das fezes deixa de ser uma necessidade de reter/expulsar e passa à demanda de agradar/aborrecer o outro. O bebê entende que o cuidador tem sobre ele expectativas assim como, por outro lado, há expectativas do cuidador que o bebê pode ou não atender. Com base nesta relação é que se desenvolvem os afetos que podem ser hostis ou amorosos. É que os sentimentos são ambíguos, permeados de amor e ódio e se repetirão ao longo da vida adulta dos sujeitos, se estendendo nas mais diversas formas de relacionamentos, como entre professor aluno, padre devoto, analista paciente, chefe subordinado, mas, principalmente entre os pares amorosos. O sujeito, na sua vida adulta, tende a escolher como parceiro amoroso aquela pessoa que de alguma forma favoreceria a repetição da sua relação com os pais da infância. O tratamento psicanalítico possibilitaria ao sujeito reconhecer as motivações inconscientes das suas escolhas ou se livrar de repetição de vivencias de relacionamentos tóxicos e agressivos visando novas modalidade de relacionar-se, com afetos amorosos e não mais hostis. Hoje, dia dos namorados, seria interessante refletir sobre as relações amorosas que estabelecemos e cuidar de, para além da troca de presentes, buscarmos o diálogo, a transparência e o amor.

sábado, 16 de janeiro de 2021



DICAS PARA O DIA DA PROVA

1 dia antes

Nada de alimentação pesada. Procure energizar-se com proteínas e carboidratos, mas nada gorduroso, pois as gorduras demoram a ser digeridas. Vitaminas e sais minerais fazem bem. Use e abuse das frutas e verduras. Prefira carnes grelhadas. Deve-se jantar pelo menos 4 horas antes de dormir.

Nada de bebidas energéticas, pó de guaraná e outras...Essas misturas acabam com o sono, a memória, a capacidade de concentração e o raciocínio que você precisará no dia seguinte. No lugar disso, tome bastante água ou suco de frutas.

 Se precisar de energia rápido, prefira uva passa, que é doce e muito mais saudável, podendo substituir o chocolate.

No dia D

Tome um bom banho, um café da manhã reforçado, respire fundo, confie no seu taco e vá em frente.

Leia atentamente as questões e entenda o que foi pedido.

Comece pelas questões que considera mais fáceis, o que lhe dá autoconfiança para continuar.

Na prova escrita, planeje mentalmente as respostas antes de colocá-las no papel. O mínimo de raciocínio lógico conta pontos, mesmo se você não responder tudo.

Se der um branco total durante a prova, pare por alguns minutos para fazer os exercícios alongando os braços e pescoço, respirando bem. Lembre-se da sua música predileta, sua cor preferida, a frase que mais gosta...Você continuará a prova bem mais tranquilo e concentrado.

 

Elaborado por: Eliana Olímpio – psicóloga – Fone:99723.0845


sábado, 3 de outubro de 2020

 




Encontre a melhor maneira, o melhor lugar, o melhor horário para estudar. Estude da maneira que for mais eficaz para você, mas evite estudar sentado no chão ou deitado.

A melhor posição para estudar é sentado, com as costas encostadas na cadeira. Suas mãos devem manter-se sobre a mesa. Procure um ambiente arejado, tranquilo, com pouca interrupção e bem iluminado.

Deixe apenas o material que vai precisar à mão para evitar ficar se levantando. Evite deixar livros de outras matérias para não desviar a atenção.

Estabeleça rotina de estudo, dosando obrigação e diversão e busque informação em todos os cantos que puder para obter sua entrada no ensino superior.

Fixe, em casa, como tempo mínimo de estudos  4 a 5 horas com intervalos de 10 minutos a cada 50 minutos. Nestes 10 minutos de intervalo, levante, coma alguma coisa, converse com alguém, ouça uma música. Nada de assistir tv ou ir para a internet, pois o vídeo é estimulante e hipnotizador. Você não conseguirá sair da frente dele.

Utilize sempre que preciso o dicionário, o que aumenta o vocabulário e ajuda a aprender o significado das palavras (técnica de memorização). Esquematize seus estudos, que é uma forma de reorganizar o conhecimento de forma diferente, o que ajuda a retê-lo. O importante é ser oganizado e sistematíco, organizando um mínimo de horas diárias em casa para refazer exercícios e rever os pontos fundamentais das matérias.

Não deixe para a última hora para optar por determinada carreira. Pese suas habilidades, aptidões e limitações e veja se determinado curso o interessa. Leia jornais e revistas e procure saber detalhes sobre as diversas profissões e o mercado de trabalho. Ouça profissionais de diversas áreas, vá a palestras, visite universidades e empresas e converse com os professores.

Um semestre antes:

Faça um calendário de estudo, incluindo as obras literárias para o Enem, as matérias que você deverá dedicar mais esforço e para rever as que você tem mais dificuldade.

Procure manter-se informado, atento aos grandes acontecimentos que certamente poderão ser abordados como tema de redação.

Procure estudar em grupo para absorver as habilidades que outras pessoas possuem e que poderão contribuir com seu aprendizado. Em compensação, colabore ensinando aquelas disciplinas que para você é mais fácil. Ensinar e reter o conhecimento. Faça resumo dos pontos importantes para consultar perto do exame e anote as dúvidas para esclarecer com os professores.

Seja bastante disciplinado. Tenha hora para acordar, se alimentar, estudar, se divertir e dormir até mesmo nos finais de semana. Dessa forma, o seu cérebro e o seu corpo irão se acostumar com seu dia-a-dia e estarão preparados quando você precisar deles.

“Guarde espaço” na sua memória para as coisas importantes. Assim, guarde seus objetos simples como lápis, borracha, sempre no mesmo local, para que você não precise acionar a memória, reservando-a para coisas mais importantes.

Inclua em sua rotina, a prática de algum esporte: natação, caminhada... Ao praticar qualquer atividade física, você prepara o seu corpo para enfrentar as consequências dessa matarona de estudos. Além disso, o esporte diminui a ansiedade, ativa a circulação e, consequentemente, aumenta a produtividade. Exercícios físicos aceleram a circulação sanguínea no organismo intensificando a irrigação do cérebro. Pratique esporte pelo menos 2 vezes por semana. Uma caminhada, andando com os passos ritmados oxigena o cérebro, e, também, ao caminhar a pessoa ganha objetividade, fica mais decidida e essa atividade também ajuda a melhorar a concentração. Exercícios físicos ajudam o corpo a liberar endorfina, o estimulante produzido pelo organismo que melhora a atenção.

Elimine todas as drogas, incluindo álcool e medicamentos como tranquilizantes e soníferos, a menos que sejam prescritos por um médico. Tudo isso age no sistema nervoso central, podendo afetar sua disposição e concentração. 

Um mês antes:

Verifique as datas e horários das provas das diversas escolas que você vai prestar o vestibular e agende em local visível e de fácil acesso.

Procure fazer para si mesmo perguntas sobre as partes mais difíceis das matérias. Concentre-se nas matérias que você necessita reforço, refazendo os exercícios.

Consulte seu professor sobre aqueles exercícios que você não conseguiu resolver, evitando acumular dúvidas. Evite faltar às aulas.

Antes de dormir, tente repassar o seu dia de estudos. Faça isso de forma leve, sem a preocupação de se recordar de tudo, porque as lembranças emergem como um novelo que se desenrola.

Evite tudo o que pode lhe causar desconforto e desatenção, como estudar com fome, por exemplo.

Durma e alimente-se bem.

Pratique caminhadas, vá as festas, divirta-se!

Duas semanas antes:

Tente anotar pequenos lembretes que você precisará providenciar para o dia D. Diminua sua carga horária de estudos extra-escolares. Excesso de estudo poderá cansar você...

Se ficar ansioso e não conseguir se concentrar, procure relaxar, utilizando como técnica de respiração  ou faça exercícios de alongamento.

Uma semana antes:

Procure visitar o local das provas: itinerário, ônibus, trânsito... Imagine-se fazendo o percurso no dia da prova e como estará o cenário... Calcule o tempo que demorará no percurso.

Organize os documentos que serão necessários para o dia D.

A alimentação deve constar de pelo menos 5 refeições por dia: café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde e jantar.

Procure praticar alguma atividade ao ar livre, para diminuir a tensão (um dos fatores que mais atrapalham a concentração).

Divirta-se!

5 dias antes: Procure dormir suficientemente, alimentar, namorar...

2 dias antes: Procure alimentar normalmente, sem inovar.  Procure dormir bastante.

Evite pegar em livros para estudar. Leia algo interessante ou assista um filme divertido. Relaxe saindo com os amigos.

1 dia antes: Nada de alimentação pesada. Procure energizar-se com proteínas e carboidratos, mas nada gorduroso, pois as gorduras demoram a ser digeridas. Vitaminas e sais minerais fazem bem. Use e abuse das frutas e verduras. Prefira carnes grelhadas. Deve-se jantar pelo menos 4 horas antes de dormir.

Nada de bebidas energéticas do tipo Flyimg Horse... pó de guaraná e outras...Essas misturas acabam com o sono, a memória, a capacidade de concentração e o raciocínio que você precisará no dia seguinte. No lugar disso, tome bastante água ou suco de frutas.

Se precisar de energia rápido, prefira uva passa, que é doce e muito mais saudável, podendo substituir o chocolate.

No dia D: Tome um bom banho, um café da manhã reforçado, respire fundo, confie no seu taco e vá em frente.

Leia atentamente as questões e entenda o que foi pedido.

Comece pelas questões que considera mais fáceis, o que lhe dá autoconfiança para continuar.

Na prova escrita, planeje mentalmente as respostas antes de colocá-las no papel. O mínimo de raciocínio lógico conta pontos, mesmo se você não responder tudo.

Se der um branco total durante a prova, pare por alguns minutos para fazer os exercícios citados, respirando muito bem. Lembre-se da sua música predileta, sua cor preferida, a frase que mais gosta... Você continuará a prova bem mais tranqüilo e concentrado.

 Elaborado por: Eliana Olímpio - psicóloga


domingo, 3 de maio de 2020

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E PANDEMIA



Estamos vivendo, mundialmente, em isolamento social e a ONU - Organização das Nações Unidas - alerta para o crescimento exacerbado de denúncias de violência doméstica em quase todos os países.

A violência doméstica atinge principalmente mulheres, idosos e crianças. A violência é muito anterior ao isolamento. É muito comum, no atendimento no consultório, ouvirmos relatos de mulheres com relação à agressividade dos companheiros, seja com elas mesmas ou com os filhos.

Parece que nesse tempo de pandemia, o sofrimento dessas mulheres e de outros membros dessas famílias tem aumentado. É fato que a escassez de recursos em famílias de baixa renda potencializa a agressividade. A falta de lazer, os problemas financeiros, o ambiente muito apertado e restrito são estopins para a prática da violência.

domingo, 19 de abril de 2020

Psicoterapia on-line


Em tempos de quarentena, os recursos tecnológicos nos auxiliam a manter o atendimento psicológico ativo, escutando as pessoas e ajudando-as a aliviarem sua angustia.

Uso o recurso da câmera do WatsApp e oriento as pessoas a, se precisarem um pouco mais de privacidade em casa, colocar um radinho perto da porta do quarto ou do ambiente em que ela estiver ou ligar a televisão. Pode ser em volume baixo, porque é como a música nas recepções dos consultórios: ajuda a confundir as palavras e não permitir que outras pessoas compreendam o que está sendo dito.

FIQUE EM CASA, mas cuide da sua saúde mental.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Atendimento Psicológico on-line





Em novembro de 2018, o Conselho Federal de Psicologia publicou Resolução do Exercício Profissional da Psicologia que trata do atendimento on-line através de tecnologias de informação e de comunicação. 

Em março de 2020, diante da pandemia provocada pelo COVID-19, o Conselho reafirma a importância de abrir aos psicólogos a possibilidade de atendimento on-line, principalmente durante o período de isolamento social proposto pelo Ministério da Saúde. De fato, vivemos momentos de intensa angustia e medo, e a psicologia se adapta para minimizar os prejuízos psicológicos dos necessitados.

Desde então tenho oferecido meus serviços on-line, utilizando a câmera do aplicativo do WatsApp. Os clientes atendidos trazem questões de toda ordem, como relativas à atritos decorrentes da convivência intensa com os familiares; o tédio da limitação do ambiente doméstico e dos poucos recursos de lazer; dificuldade em conciliar o trabalho home-office e as rotina do lar, medo do impacto da recessão econômica sobre o patrimônio, medo do desemprego e outras angustias relacionadas ao sentimento de solidão, a dificuldade do isolamento, o medo da perda de entes queridos, inseguranças quanto ao atendimento nos equipamentos de saúde; medo do contágio e de como seria a manifestação do virus no seu organismo.

Pessoas acometidas com depressão, ansiedade, fobias e outras doenças tiveram o seu quadro sintomatológico acentuado, necessitando ainda mais dos atendimentos. 

É momento de reestabelecer nossos laços afetuosos, nossas prioridades, nossa visão de mundo. É momento de rever nossas necessidades econômicas, nosso consumismo, nossos valores materiais.      E acima de tudo, é momento de promover a elaboração psicológica da nossa fragilidade, da nossa vulnerabilidade, da nossa incapacidade de controle e previsibilidade do futuro e, principalmente, aprendermos a lidar com nossa finitude.






segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Filme: Eu, Mamãe e os Meninos (Les garçons et Guillaume, à table!)


Este filme trata do drama das crianças quando sentem que a expectativa dos pais com relação à sua sexualidade não coincide com seu jeito de ser. Uma história com final feliz.

domingo, 26 de junho de 2016

Papai,mamãe, a babá e eu


Bernard Nominê
Eu vou partir deste pequeno ritornelo que me surge não sei de onde: “papai, mamãe, a babá e eu”. Creio que é o refrão de uma cançãozinha medíocre do após guerra que não tem estritamente nenhum interesse a não ser, para mim, o de introduzi-los numa estrutura de quarteto que vou tentar desdobrar diante de vocês. Não é por acaso que entre papai, mamãe e eu, eu precisei incluir a babá. Neste quarteto há, eu penso, um ponto de estrutura.

A babá, no Littré é, “uma moça encarregada de cuidar das crianças”. Esta personagem que duplica o papel da mãe tem sempre um lugar importante no romance familiar.

Na maioria dos casos, ela duplica a mãe para a criança. Pensem na querida Nanie do “homem dos Lobos”. É frequente que seja através da babá que a criança aceite descobrir a sexualidade da mãe: é o caso para a babá do “pequeno Hans”. Às vezes esta babá faz o papel de uma verdadeira iniciadora: pensem em Fraülein Peter e em Lina, as duas governantas do “homem dos ratos”.  Além disso, a babá duplica a mãe diante do pai. Ela é então aquela com a qual o pai poderia se satisfazer em amores ancilares culpados, o que deu lugar a um certo número de nascimentos e inspirou mais de um romance.

Freud, em seus tratamentos, é sempre atento ao papel da governanta; fazia parte dos costumes da época. Hoje não faz mais! Mas sempre acontece esta necessária divisão da personagem materna que o papel da babá imaginarizava com perfeição.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O SEXO, DROGA E ROCK AN'ROLL

"A barra do amor é que ele é meio êrmo. A barra da morte é que ela não tem meio-termo".
Eliz Regina

ALGUMAS CONSIDERAÇOES SOBRE O SEXO, DROGA E ROCK AN’ROLL

Maria Eliza Arreguy Maia

Trago como epigrafe a pequena história de Sid Vicious, baixista dos Sex Pistols, um conjunto inglês que, de meados da década de setenta até o fim de seus curtos dias, detonou o rock punk, dando projeção ao movimento pós-hippie, anti-hippie pode-se dizer, movimento difuso de uma juventude que se supõe cansada, farta, traída. Nada de grandes utopias, o bem estar proporcionado pela social democracia capitalista, como não podia deixar de ser, deixa restos. O movimento punk teve grande ressonância entre os filhos da periferia de uma “Londres apocalíptica, entre a monarquia e a barbárie”.[1]

O sonho acabou e bem no fim do século! Naqueles dias vivia-se um clima de ameaça fria das duas potencias mundiais e da possibilidade da 3ª guerra. “Meus heróis morreram de overdose e meus inimigos estão no poder...”, grita e clama o poeta que, anos mais tarde, na periferia do 1º mundo, ofertará seu corpo como ideologia quando não há uma pra viver. [2]