domingo, 17 de julho de 2011

Automutilação: a forma dolorosa de falar

A sociedade contemporânea é definida como a era da comunicação e da abundância de bens materiais.  Estamos inseridos num mundo onde existe muito barulho e, muitas vezes, fazemos barulho para evitarmos o silêncio. Preenchemos com os objetos e com o barulho as lacunas que nos sugere falta, não presença, solidão. Ora, onde existe o barulho e acumulo de objetos não é possível a partilha, o diálogo, o entendimento, a humanidade. 

Para que haja humanidade é preciso que haja encontro, e os encontros se dão quando um espera do outro algo. Para que haja encontro é necessário demandar. É comum as pessoas fugirem do encontro com os outros e consigo mesmas, fugirem da possibilidade de falar. Por outro lado, quantos necessitam falar e não lhes é dado a palavra, ou não têm como dizer – não encontram palavras. 

A automutilação seria uma dessas formas de gritar, tentativas de se comunicar, de dizer da dor e do sofrimento apesar da falta de palavras ou da falta de escuta. Se por um lado, faltam palavras, talvez,  por outro, hajam excessos que devam ser cortados.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ressaca Moral

Quero compartilhar com vocês reflexões de uma psicóloga, Luciana Gaudio*, que achei muito interessante.
Espero que apreciem.
Ressaca Moral
Muitas vezes queremos tomar certas atitudes, adotar determinados modelos de comportamento, melhores que os atuais, mas não conseguimos, pois, o simples ato da vontade (embora seja o passo inicial e fundamental) não faz com que deixemos para traz todos os maus hábitos cultivados há tempos.
Parece simples fazer isto, se analisarmos racionalmente, mas quando há o atravessamento da emoção (e sempre há) tudo ganha nova dimensão. A  vontade de acertar e fazer tudo diferente é tão grande que  o  desejo de que seja assim faz parecer que vai ser tão fácil. Na realidade porém, é tudo mais difícil e nos vemos diante de desafios inimagináveis e nem mesmo narráveis,  pois só sentindo para saber do que se trata. Geralmente subestimamos a força das fraquezas morais que ainda residem em nós. Prometemos a nós mesmos fazer diferente e nos vemos fazendo tudo que não gostaríamos. Lembrando o apóstolo Paulo “O mal que não quero, faço. O bem que quero, este não faço.” A questão é que estamos saindo da lama moral rumo a uma postura melhor agora, mas esquecemos que nosso pé está muito mais encharcado na lama do que fora dela e nos candidatamos a angelitude antecipadamente, sem termos lastro para isso.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

As mil e uma noites

Rubem Alves


 Estou me entregando ao prazer ocioso de reler As mil e uma noites. O encantamento começa com o título que, nas palavras de Jorge Luis Borges, é um dos mais belos do mundo. Segundo ele, a sua beleza particular se deve ao fato de que a palavra mil é, para nós, quase sinônimo de infinito. "Falar em mil noites é falar em infinitas noites. E dizer mil e uma noites é acrescentar uma além do infinito." As mil e uma noites são a estória de um amor - um amor que não acaba nunca. Não existe ali lugar para os versos imortais do Vinícius (tão belos que o próprio Diabo citou em sua polêmica com o Criador): "Que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure..." Estas são palavras de alguém que já sente o sopro do vento que dentro em pouco apagará a vela: declaração de amor que anuncia uma despedida.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Observar e pensar!

Stephen Kanitz
(Revista Veja, 4 de agosto de 2004 - edição: 1865, ano 37 - n° 31)

O primeiro passo para aprender a pensar, curiosamente, é aprender a observar. Só que isso, infelizmente, não é ensinado. Hoje nossos alunos são proibidos de observar o mundo, trancafiados que ficam numa sala de aula, estrategicamente colocada bem longe do dia-a-dia e da realidade. Nossas escolas nos obrigam estudar mais os livros de antigamente do que a realidade que nos cerca. Observar, para muitos professores, significa ler o que os grandes intelectuais do passado observaram: gente como Rousseau, Platão ou Keynes. Só que esses grandes pensadores seriam os primeiros a dizer: “Esqueçam tudo o que escrevi e vejam com seus próprios olhos. Observem!" Será isso o que eles nos diriam se estivessem vivos?

domingo, 12 de junho de 2011

Educação e Trabalho: fatores de proteção para o adolescente

O trabalho é peculiar ao homem e é através do trabalho que o homem ajusta as relações humanas.  Para o adolescente, o trabalho tem a função de promover o seu desenvolvimento psicológico, uma vez que confere um sentimento de produtividade, resultando no aumento da sua auto-estima e da auto-confiança. Para os adolescentes de classes menos privilegiadas, o trabalho freqüentemente é um meio de adquirir habilidades e contatos que podem ser valiosos para o seu futuro.
A educação cumpre um importante papel na preparação do individuo para o trabalho, oferecendo informações e promovendo situações para o desenvolvimento de comportamentos próprios que possam contribuir para a constituição da sua identidade profissional.
Porém, a sociedade brasileira não privilegia o ingresso do adolescente no mercado de trabalho como uma forma de inseri-lo na dinâmica do desenvolvimento psíquico e social. Muitas vezes, esse ingresso se dá por imposição das necessidades materiais vivenciadas por ele e sua família. Mesmo o trabalho intelectual que se faz através do estudo, normalmente não é valorizado como tal e qualquer outra atividade que o adolescente desenvolva é muitas vezes vista como entretenimento.
É necessário, porém, perceber que o adolescente quando está estudando ou desenvolvendo atividades acadêmicas está trabalhando no sentido literal do termo. Vincular a produção acadêmica à produção laborativa é essencial para que nessa fase da vida, o adolescente possa sentir-se contextualizado no sistema produtivo de forma a elevar a sua auto-estima e diminuir a sua vulnerabilidade.
É pensando nas várias dimensões da educação e do trabalho que buscaremos um sentido de proteção e resiliência para o adolescente, ampliando-lhe os horizontes e dissuadindo-o da alienação e vulnerabilidade que o consumismo,  as drogas e a violência lhes impõe.

sábado, 11 de junho de 2011

Tricotilomania: arrancar os cabelos

Este texto trata de um estudo sobre o hábito de arrancar os cabelos. Segundo o DSM-IV-TR, a Tricotilomania (312.39) pertence à Classificação dos Transtornos Mentais por descontrole dos impulsos, como um tipo de ansiedade (CID-10 F63.3).
A tricotilomania tem como característica essencial o arrancamento recorrente do cabelo de qualquer região do corpo, onde o mesmo cresça (cabeça, sombrancelhas, barba, região púbica e anal). Nos locais onde os pêlos são arrancados surgem alopécia, presença de folículos normais, porém lesionados e enrrugados, cabelos curtos e fracos. Circunstâncias provocadoras de estresse, ou mesmo de extremo relaxamento e distração aumentam o comportamento. Antes de arrancar o cabelo o indivíduo sente uma sensação de crescente tensão, que alivia-se a medida que inicia o comportamento de arrancar os pelos e, subsequentemente, diminui a intenção de resistir ao ato, podenso ou não haver arrependimento, auto-recriminação ou culpa. Há uma gratificação ou bem estar, apesar de ao mesmo tempo, provocar um significativo deterioramento da atividade social, profissional ou outras áreas importantes de atividade do indivíduo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O que significa "viver bem"?

Para sentirmos que estamos vivendo bem a vida, temos que ter projetos.
No meu caso, viver bem exige:
- Autonomia: preciso ter um certo nível de independência e decisão. Autonomia requer maturidade, segurança, experiência, confiança. Requer ainda o apoio incondicional das pessoas com quem convivo.
- Focar nos detalhes faz parte do planejamento. Um projeto requer uma idéia do todo e das partes. As realização das partes necessitam capricho, zêlo e cuidado para que o todo se faça quase que perfeito.
- Para eu viver bem necessito equilibrar minhas despesas com a minha receita. Isso é fundamental para a manutenção e construção do meu projeto. Viver bem é saber que o que gasto está dentro das minhas possibilidades financeiras. Minhas compras, minhas dívidas, minhas necessidades não devem perturbar minhas noites de sono.
- Logo, preciso sentir satisfação com meu jeito de ser, minhas coisas, meus relacionamentos. E melhorar tudo o que for preciso. Se sei das minhas limitações, também sei do meu potencial. Assim, posso canalizar energia para melhorar os meus pontos fracos e fortalecer ainda mais os meus pontos fortes.
- Otimismo é ver as possibilidades futuras, o que de bom pode advir e procurar minimizar circunstâncias ou fatores que poderiam interferir negativamente na minha vida, na vida das pessoas ao meu redor ou na vida do planeta como um todo. Sou uma otimista realista. Sei que a vida faz uma curva como a de "Gaus". Iniciamos nossa vida subindo até um patamar que então se estende por algum tempo e então iniciamos um declínio físico, financeiro, relacional. Isso é comum, é natural para todo e qualquer ser humano. O que nao posso é antecipar os infortúnios e trazer para o presente a derrota.
- Viver bem é procurar ampliar meu circulo de amizades. Buscar a alegria no meu convívio familiar e social. Participar dos eventos com júbilo. Interessar em cultivar as amizades.
- Viver bem é morar bem. É fundamental ter um lugar em que sintamos confortáveis, acolhidos. O lar conta com um lugar legal, uma vizinhança boa, um bairro, uma cidade, um pais em que me sinto orgulhoso e satisfeito. Viver bem é buscar atender essas necessidades.
- É preciso fazer tudo o que for possível, relaxar e deixar as coisas acontecerem. Não é com minha ansiedade que mudarei o mundo. Faço a minha parte e deixo as outras pessoas fazerem a delas, do jeito delas.
E, acima de tudo, saber que a minha receita serve para mim e nem sempre se aplica aos outros. O meu jeito de ser feliz, o meu jeito de viver bem é meu. Cada um encontra o seu próprio jeito, suas próprias prioridades. Então...
Encontre já o seu!!!!

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