quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Filhos
A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada .
  
Eliane Brum 




Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor. 


terça-feira, 31 de janeiro de 2012


SENTIMENTO DE VERGONHA

Em séculos precedentes, era comum a pessoa “morrer de vergonha” para preservar a honra. Morria-se literalmente, porque a vergonha pela desonra era tanta que o sujeito preferia morrer de fato, e se matava. Qualquer equívoco cotidiano poderia fazer o sujeito sentir-se desonrado e,  portanto, morrer de vergonha.
Atualmente não se morre mais de vergonha. O que seria desonroso, privado, íntimo, coberto de pudor deseja-se que seja escancarado aos olhos dos expectadores e aplaudido por eles. E quanto mais desavergonhado, melhor!  Os índices de audiência aumentam e o sujeito despudorado ganha fama, torna-se herói. É a completa inversão de valores.

Mas, em contrapartida, encontramos pessoas que são tomadas por intensa vergonha:
“Eu não ... porque tenho vergonha!”
 O campo das reticências nessa frase pode ser preenchida com várias palavras: “fui lá”, “me apresentei”, “olhei”, “falei”,  “pedi”, “ofereci”, “comi”, etc. Normalmente os sentimentos que acompanham essa vergonha é desproporcional  à vergonha a que a pessoa se refere.

Há uma vergonha que deve ser preservada: aquela que conduz ao bom comportamento, à educação e a sociabilidade. Essa, preserva o sujeito da imbecilidade, da deselegância e da falta de civilidade.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


A influência da energia elétrica no nosso organismo:
Thomas Edison inaugura nova era da puberdade precoce
Leonardo de Souza Vasconcellos, Marília de Freitas Maakaroun
Centro de Atenção à Saúde do Adolescente (CASA) da Fundação Libanesa de Minas Gerais
Faculdade de  Ciências Médicas de Minas Gerais

Introdução
Com a descoberta da lâmpada elétrica por Thomaz Alva Edison em 1879, inaugurou-se uma revolução radical no ritmo circadiano. Com a possibilidade de prolongar o período de vigília, ficar acordado até mais tarde, trabalhar à noite e adquirir aparelhos eletromagnéticos, o homem passou a ficar mais tempo em contato com a luz artificial. Uma vez questionada que a exposição prolongada à luz pode contribuir com maior tempo de inativação da glândula pineal e, consequentemente, menor atuação da mesma sobre as diversas funções fisiológicas, principalmente, no que se refere a inibição do eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal, o desenvolvimento da puberdade estaria ficando, iatrogenicamente, cada vez mais precoce com o avançar da história, em contraposição à teoria de que o ambiente cada vez mais favorável facilitaria a expressão fenotípica do evento genético do início da puberdade.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

NARCISISMO



Atualmente temos ouvido dizer que nossa sociedade “está muito narcísica”, ou que as pessoas “estão muito narcisistas”. O que viria a ser isso?

O conceito de narcisismo tem sido empregado de modo diverso. Comumente é associado a egoísmo, auto-admiração,  a auto-imagem  e auto-erotismo.  Para a psicanálise, o narcisismo faz parte do processo do desenvolvimento psíquico do sujeito. Freud o utilizou para responder ao funcionamento das fases primárias do psiquismo infantil, bem como o colocou como um dos mecanismos de defesa que o sujeito utiliza para lidar com o mundo.

sábado, 3 de dezembro de 2011


SOCIEDADE 
ENTREVISTA  
A era do bebê turbinado

Para o neurologista Saul Cypel, está provado que crianças hiperativas são fruto de pais ansiosos e desencontros familiares contornáveis



 Revista Época, 04 de julho de 2001, p. 60 e 61.
                   
 por: CRISTIANE SEGATTO

Há três décadas, Saul Cypel, espe­cialista em neurologia infantil observa crianças hiperativas. É impossível não notar a chegada de uma delas ao consultório. O alvoroço logo toma conta da sala de espera. Quase simulta­neamente, arrastam cadeiras, avançam sobre lápis e canetas, pulam sem parar. A inquietude e o interesse pulverizado costumam ser interpretados pelos pais como sinais de vivacidade. Para Cypel, de 58 anos, pai de quatro filhas adul­tas, podem ser indícios de hiperativi­dade e dificuldade de atenção. O proble­ma é sério. Aparece nos primeiros meses de vida e desencadeia dificuldades de aprendizado e convivência social ao lon­go da vida. O neurologista explica que o distúrbio pode ser revertido com acom­panhamento adequado e, só em alguns casos, prescrição de medicamentos.

ÉPOCA: Por que as crianças de hoje se tor­nam hiperativas e desatentas? A culpa é dos pais ou do meio em que vivem? 

Saul Cypel: Tentar atribuir culpas não é uma boa estratégia. O comportamen­to da criança nasce da conjunção de fa­tores familiares com individuais. É difí­cil determinar a origem exata do pro­blema. Vemos famílias com três filhos nas quais apenas um é hiperativo. Tudo depende da interação de cada crian­ça com o ambiente em que vive. No en­tanto, notamos semelhanças na história dos hiperativos. Em geral, são crian­ças geradas em uma gravidez difícil, num ambiente cheio de ansiedade. Já nos primeiros meses, o bebê mostra­se inquieto. Com 2, 3 meses tem dificuldade para dormir. Acorda muitas vezes à noite. A solicitação da criança é tamanha que os pais ficam exauridos.



quarta-feira, 30 de novembro de 2011


O Seminário Idade Penal para Adolescentes, que aconteceu ontem, 29 de novembro de 2011, no Auditório da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais foi um sucesso. Alcançou o objetivo esperado de discutir de forma ampla e multidisciplinar sobre a questão da proposta de Redução da Maioridade Penal. Os conferencistas contribuíram com visões e reflexões em torno desta problemática, apontando que cabe a família e à sociedade cuidar das crianças, para que elas possam chegar à adolescência e, acima de tudo, ter uma adolescência feliz enquanto seu desenvolvimento biopsicosocial estiver por ser “concluído”.  E sabe-se, por fundamentação científica, que este desenvolvimento não se faz antes dos 18 anos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011


ESTRESSE NA INFÂNCIA: A SÍNDROME DO PEQUENO EXECUTIVO

Crianças e adolescentes com a agenda mais carregada do que a dos pais, sem tempo para brincar, apáticos, mal-humorados e introspectivos. Este perfil é cada vez mais freqüente e pode caracterizar uma criança estressada, que acabou absorvendo as ansiedades e expectativas de seus próprios pais. O mais grave no estresse infantil é que os pais demoram a perceber o problema. “estas crianças só são levadas ao médico especialista quando começam a atrapalhar a rotina e a relação familiar ou quando tornam-se agressivas demais para serem notadas”, diz o Dr. Bernik. No entanto, esta falta de atenção pode ter conseqüências bem mais graves do que as doenças psiquiátricas ou físicas: o suicídio. No Brasil ainda não há estatísticas gerais, mas no National Institute for Mental Health (NIMH - EUA) patrocionou uma série de estudos no começo da década de 90 e constatou que, em 1991, o suicídio infanto-juvenil já representava 0,3% das causas de morte nas crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos, e 14% de todas as mortes na faixa etária entre 15 e 19 anos – a segunda causa geral de óbitos nessa idade. Na maioria das vezes, o jovem age por impulso e, em quase todos os casos, as principais causas são o medo de punição dos pais face ao mau rendimento escolar ou dos castigos impostos pelos colégios.