ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL E A ESCOLA:
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Introdução
O mundo com suas formas de modernidade vem passando por transformações
profundas e velozes que provocam mudanças no comportamento do sujeito e da
sociedade. Algumas alterações são visíveis como a precocidade da puberdade, a
adoção de novas configurações parentais, mudanças nos papéis sociais, a
promoção do afastamento entre as gerações e parentescos, a dificuldade dos
membros da família compartilharem o dia a dia entre-si, a supremacia da
estética sobre a ética, a valorização do relativismo absoluto, a banalização da
sexualidade e da violência, a acentuação da urbanização, e outras. Tudo isso ou
grande parte desses avanços podem ter influências no que concerne a
possibilitar emergir grupos de indivíduos com comportamentos que, se até então
eram desviantes, passam a ser padrão.
As organizações, de um modo geral, adotam um novo “modus operandi”
no que concerne a tolerância de comportamentos desviantes promovendo situações
ou ambientes que possam muitas vezes absorvê-los ou, de outra forma, procuram
adaptar-se a eles. O que se percebe é que há um jogo em que interesses
das organizações entrelaçam-se em interesses dos indivíduos criando uma
estrutura cujos comportamentos perversos, muitas vezes criminosos, passam a
figurar como normalidade. Assim, cada vez mais um número maior de organizações
adotam comportamentos abomináveis, sobrepujando a ética e a moralidade, em nome
das “transações comerciais”.
Atualmente tem sido noticiado pelos
diversos meios de comunicação, violência e desordens múltiplas cometidas por
adolescentes nos diversos ambientes sociais. Nos ambientes acadêmicos ocorrem depredações
das escolas, comportamento hostil entre professores e alunos, elevados índices
de evasão escolar, baixo rendimento acadêmico, desmotivação para os estudos, e
outras, principalmente para alunos do ensino médio.
Tem-se constatado o aumento significativo
do número de indivíduos portadores de algum tipo de desvio de comportamento na
população em geral e comparações estatísticas sugerem que as curvas para
a maioria das delinquências juvenis têm aumentado nas últimas décadas. Essas delinquências são cometidas por jovens e
adultos, de ambos os sexos e dos diversos níveis socioeconômicos e sabe-se que
esses indivíduos em algum momento da sua vida passaram pelas escolas. As
escolas, enquanto instituições têm se esforçado por abrigar seus alunos, com ou
sem comportamentos desviantes.